- Robert Lopes

- 28 de mar.
- 2 min de leitura
O paradoxo do Rei Servo
Quando pensamos na definição do que seria um rei, logo nos vem à mente a imagem de um grande monarca. Um soberano político que esbanja riqueza e glória ao passar no meio dos seus súditos. Entre os plebeus, ele surge com uma bela armadura, uma majestosa coroa de ouro adornada de joias preciosas, cavalgando em um belo e formoso cavalo.
"Para olhos tortos, a realidade pode ter um rosto desvirtuado." (Gandalf, na obra Senhor dos Anéis: As Duas Torres)
Por vezes, nossa expectativa de esperança ou salvação está arraigada em uma visão distorcida. Uma visão que temos do mundo à nossa volta.
No mundo pós-queda, o homem, desde tempos passados, sempre tentou moldar o seu próprio salvador. Criou também o seu próprio ideal de rei. E, no fim, o seu próprio ideal de deus.
Lucas, em seu evangelho, descreve a entrada de um rei. Uma entrada que vai na contramão de tudo o que poderíamos esperar. Não havia um grande cavalo. Nem roupas de linho fino com púrpura. Muito menos qualquer vestígio de ouro ou riqueza. Em cima de um simples jumentinho, é assim que Lucas descreve a sua entrada.
"Então trouxeram o jumentinho até Jesus e, pondo as suas capas sobre o animal, ajudaram Jesus a montar. À medida que Jesus avançava, as pessoas estendiam as suas capas." (Lucas 19:35–36)
Certa vez, um servo piedoso disse: "Na realidade do evangelho, as coisas costumam ganhar outras cores..." E é bem isso que vemos aqui. Longe da glória dos palácios, cavalgando lentamente no meio do povo, com vestes simples. Carregado de uma genuína humildade, é assim que esse rei nos é apresentado.
Na contramão da grandeza, vemos o Rei Servo. Ele cavalga rumo ao ápice do seu reinado: morrer por pecadores. Em sua cabeça, uma coroa de espinhos. Em suas mãos e pés, pregos o atravessando brutalmente. Esse é o maior ato de glória do nosso Rei.
"Alegre-se muito, ó filha de Sião! Exulte, ó filha de Jerusalém! Eis que o seu rei vem até você, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta." (Zacarias 9:9)
Em Cristo, toda promessa que era apenas sombra se torna realidade. Aquilo que antes apontava para o futuro agora se cumpre. No Domingo de Ramos, somos lembrados deste grande paradoxo. O Rei dos reis cavalga não em direção a um grande palácio. Mas na direção de uma morte tortuosa. Morte de cruz. Aqui contemplamos o Rei que se fez servo. O leão que se fez cordeiro. Um cordeiro mudo a caminho do matadouro.




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