- Robert Lopes
- 23 de mai.
- 3 min de leitura
O derramamento que reúne
"Entre os maiores males do nosso tempo, deve ser contado o fato de as igrejas estarem tão separadas umas das outras que mal existe um intercâmbio amigável entre nós..." (João Calvino em carta ao Arcebispo Thomas Cranmer)
Quando olhamos para o cenário da igreja, principalmente o nosso cenário brasileiro, o que vemos é uma constante fragmentação — muros e mais muros sendo construídos, divisão atrás de divisão.
"Sobre o mesmo chão Está o muro e o lado de lá Que você esqueceu." (Palavrantiga — Sobre o mesmo chão)
Nós esquecemos que há algo maior que nos torna um só rebanho e uma só igreja. Em vez de constantemente tentarmos nos lembrar disso, o que fazemos — como Marcos Almeida nos lembra nesta canção — é construir muros.
Precisamos voltar os nossos olhos às Sagradas Escrituras, para então sermos lembrados dos grandes feitos do SENHOR no meio do ajuntamento do seu povo.
"Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar." (Atos 2:1)
Lucas poderia começar narrando o capítulo 2 do livro de Atos de qualquer outra maneira, mas a primeira coisa que ele faz é narrar que o povo do Senhor estava reunido — juntos, em um mesmo lugar.
"De repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados." (Atos 2:2)
É em meio à comunhão e ao ajuntamento do rebanho do SENHOR que o derramamento acontece, que a promessa se cumpre, que a igreja floresce — regada pelo Espírito Santo que é derramado.
"Pois o Espírito de Deus não opera de forma a causar divisões, mas sim para que nos unamos uns aos outros em um acordo mútuo de fé, da mesma maneira que os crentes em Pentecostes foram reunidos em um só corpo." (Calvino, Comentários sobre os Atos dos Apóstolos, comentário a Atos 2:1)
Para muito além daquela comunhão no cenáculo, Deus, por meio do derramamento do seu Santo Espírito, reúne todos os povos naquele lugar, de maneira que pessoas de dialetos diferentes se entendiam e glorificavam em uníssono o nome de Deus.
Somos um grande vitral cheio de cores vívidas e formatos únicos, e o que une cada pequenina parte deste lindo vitral é o mesmo Espírito Santo que foi derramado no dia de Pentecostes. Não podemos perder de vista a beleza deste mover causado pelo Espírito Santo, pois ele continua a acontecer.
"A Igreja só subsiste e se expande porque o poder de Pentecostes continua ativo, tornando a pregação da Palavra eficaz nos corações humanos." (Calvino, As Institutas da Religião Cristã, Livro IV)
A igreja de Cristo só continua crescendo verdadeiramente por meio do seu Santo Espírito agindo em nós. Não são nossos métodos e estratégias, mas o mesmo Espírito que agiu em Atos.
"Em Pentecostes, o Espírito Santo desceu não como um hóspede temporário, mas para fazer da Igreja Sua habitação permanente, unindo a diversidade de povos em um só corpo espiritual sob a liderança de Cristo." (Kuyper, Abraham. A Obra do Espírito Santo)
Para muito além dos dons, para muito além dos prodígios, Atos 2 e a comemoração do dia de Pentecostes nos lembram de que o que nos une é bem maior e mais forte do que o que nos separa — pois é o próprio Espírito Santo agindo em nós, agindo no meio do povo de Deus, e não nossas tentativas falhas, que tem gerado frutos. O Espírito Santo une o corpo à Cabeça que é Cristo, e diante desta gloriosa obra, a igreja produz bons frutos.
Robert Lopes, estudante de Teologia.
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