- Robert Lopes

- há 6 dias
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O agir silencioso do Espírito
no Tempo Comum
Imagine-se presente no agir do Espírito Santo relatado em Atos 2 por Lucas, aquele grande mover que gerou tantos frutos que reverberam até hoje. Como você lidaria com os dias comuns e ordinários depois de contemplar e vivenciar tamanho mover?
Essa é a grande questão que todos que estavam no derramamento do Espírito tiveram que enfrentar: viver aquela realidade no chão da vida, no tempo comum, no cotidiano, crendo fielmente que o mesmo Espírito Santo permaneceria presente e agindo, mesmo em meio aos dilemas da vida.
⁴⁶ Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, ⁴⁷ louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, o Senhor lhes acrescentava, dia a dia, os que iam sendo salvos. (Atos 2:46,47)
Foi assim que responderam ao mover do Espírito no chão da vida: repartindo o pão em um só coração, com alegria, louvando a Deus. Eles sabiam que aquela comunhão e aquela alegria só poderiam desaguar de um único lugar, de um único agente.
"Às vezes, a diferença entre chatice e epifania é só ver as coisas pelo ângulo certo, uma moldura que remolda tudo, até o prosaico." (James K. A. Smith, comentário de contracapa em Liturgia do Ordinário, de Tish H. Warren)
Nós também somos desafiados, diariamente, a vivenciar a presença do Espírito Santo nos dias mais ordinários e comuns, onde nada de grandioso e transcendental acontece — mas Deus está ali, o Espírito Santo segue a abrir nossos olhos, segue a nos conduzir.
"Examinar a vida diária sob 'lentes litúrgicas' torna cada gesto diário parte de uma ordem pedagógica e um currículo do discipulado cristão. E, de fato, a vida espiritual do cristão precisa ser pautada em disciplinas que são calmas, repetitivas e ordinárias, e não na obsessão pós-moderna por estímulos, experiências e autenticidade." (Igor Miguel, prefácio brasileiro de Liturgia do Ordinário, de Tish H. Warren)
Vivemos em tempos em que a igreja está tão imbuída em experiências transcendentais, em conferências e em cultos grandiosos, que nos esquecemos de viver o dia a dia contemplando a presença do Espírito Santo e do Deus soberano. Precisamos respirar um pouco em meio a tantos estímulos grandiosos.
"Hoje quero reler com calma Jó, ou mesmo Cantares, Moisés Hoje vou ouvir as pessoas Hoje eu volto a sorrir Hoje quero a paz mais discreta Aquela paz de orar e dormir" (Gerson Borges / Paulo Nazareth — Hoje)
Precisamos desacelerar. A vida cristã não se resume a céus abertos e grandes experiências. O Espírito Santo segue presente, segue nos moldando e nos inspirando, mesmo nos dias mais parados e comuns, mesmo nos dias mais caóticos. É preciso calma, é preciso desacelerar, para vivenciarmos esse agir tão doce.
"Temos a tendência de querer uma vida cristã sem as partes chatas. Todavia, Deus nos fez passar os nossos dias em descanso, trabalho e lazer, cuidando dos nossos corpos, das nossas famílias, da nossa vizinhança e dos nossos lares." (Tish H. Warren, Liturgia do Ordinário)
Deus se importa com aquelas partes da vida que chamamos de "chatas", pois cada pequenino momento da nossa vida só acontece debaixo da sua permissão divina. Mesmo as partes mais tediosas dos nossos dias estão encharcadas da bondade e da graça de Deus.
"O Espírito de Deus está tão presente na cozinha, no mercado e na fábrica quanto no altar no dia de domingo." (C. S. Lewis, Cartas de um Diabo a seu Aprendiz)
Às vezes a segunda-feira após o culto de domingo é um desafio — ela parece mais pesada, mais arrastada. Mas lembre-se, de maneira convicta e esperançosa: ainda ali o Espírito Santo habitará, ainda ali ele estará conosco.
A celebração do Tempo Comum é um lembrete constante de que o mesmo Espírito que produziu aquele grande mover continua presente ao nosso lado, gerando frutos e moldando o nosso interior. Ele direciona a igreja de Cristo para viver no chão da vida, glorificando a Deus em meio ao caos. Só precisamos desacelerar para perceber essa dádiva. Lembre-se: foi na brisa suave que Deus se apresentou a Elias, e não em um mover grandioso e transcendental. Contemplemos, celebremos e sejamos guiados por essa doce presença — aqui e agora, neste já e ainda não.
Robert Lopes, estudante de Teologia.
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Realmente se não nos atentarmos a correria do dia-a-dia, o desejo de performar, e, as plataformas vai tirando de nós o prazer de desfrutar da companhia do ESPÍRITO SANTO. Texto maravilhoso... Deus abençoe!