- Mila Castanheira

- 5 de mai.
- 3 min de leitura
Excelência, beleza e verdade: o caminho da artista cristã
Nota: Este texto reúne reflexões pessoais de Mila Castanheira, artista visual e integrante do clube do livro do Vitral.
Em relação às ideias escritas na parte 2 do livro, pág. 56, de Rodolfo Amorim, O cristão e a arte em um mundo em desencanto, minha interpretação sobre o que Dorothy Sayers analisou é que a arte não é simplesmente um acessório da minha fé, mas a expressão máxima da minha identidade como alguém feito à imagem de um Deus Criador.
Percebo que o ato de criar é o que me torna mais humana e mais próxima do divino. Ao integrar minha fé com a beleza e a criatividade, sigo o “mapa” de Sayers, que me mostra que isso vai muito além de apenas “produzir conteúdo religioso”.
Aprendi que minha capacidade de criar reflete a própria Trindade. Toda obra que realizo nasce de uma Ideia (como o Pai), toma forma por meio do meu trabalho ou energia (como o Filho) e gera um poder ou impacto em quem a consome (como o Espírito Santo). Compreendo que não preciso criar somente obras que expressem símbolos religiosos para ser uma artista cristã; basta que eu crie com integridade, pois o próprio ato de “dar ordem ao caos” e transformar matéria em algo novo já é um ato de adoração (reverência, paixão, exaltação e gratidão).
A beleza, para mim, não é algo superficial. Creio, como Sayers, que a beleza é o brilho da verdade. Quando contemplo algo belo, vejo a realidade como ela deveria ser. Por isso, permito que o dogma, a máxima ou o princípio cristão — aquilo em que creio sobre Jesus e o mundo — “interfira” na minha arte. Essa interferência não funciona como uma censura, mas como um par de óculos que ajusta minha visão. O cristianismo me permite enxergar o sofrimento sem cair no desespero e a alegria sem ser fútil. Ele dá peso e profundidade a tudo o que produzo.
Um ponto que considero essencial é o diálogo com o “mundo”. Não quero ser uma artista isolada em uma bolha. Acredito que encontro sabedoria e beleza em filmes, músicas e livros que não são cristãos (graça comum). Entendo que toda verdade pertence a Deus. Se um artista não cristão capta a complexidade do coração humano, ele revela algo real. Meu dever é dialogar com essas obras, aprendendo também com suas técnicas, ferramentas, métodos e pesquisas, avaliando e filtrando tudo pela lente da minha fé, que oferece a resposta final sobre o sentido e a esperança.
Por fim, aceito o desafio do “bom trabalho”. Entendi que a melhor forma de servir a Deus na arte é sendo uma excelente artista. Não adianta ter uma mensagem linda se a execução for relaxada, pobre ou insignificante. A natureza da minha fé exige que eu busque esmero técnico. Minha arte deve buscar a excelência, justamente porque sirvo ao Criador. Assim, vejo minha criatividade e imaginação como uma ponte entre quem sou e o “mundo”, revelando a beleza de Deus em cada detalhe que coloco nas obras que realizo.
O Clube do Livro do Vitral está lendo O Cristão e a Arte em Mundo em Desencanto. Este texto são algumas reflexões a partir da Parte 2 (cap. 4).
Quer participar do Clube do Livro? Seja um Vitralista.
Garanta seu livro aqui.





Comentários