- Nosso Vitral
- 26 de jun.
- 3 min de leitura
Adélia Prado não cabe na prateleira
Tem poeta que fica só nos livros. Tem poeta que desce da prateleira, senta na mesa da cozinha com você e começa a contar um caso enquanto serve um café. Adélia Prado é desse segundo tipo. E foi essa potência que tomou conta do nosso último Vitral Podcast, gravado especialmente para o lançamento do Clube do Livro do Vitral.
Recebemos Gláucio Zani, pesquisador que estuda Adélia Prado há quase dez anos, professor no CEFET-MG e, nas suas próprias palavras, um neto declarado da poeta. Conversamos por quase duas horas, e cada história contada ali valeria, sozinha, um episódio inteiro.
Gláucio contou como foi até a casa de Adélia em Divinópolis sem saber que ela estava viajando, comprou uma orquídea de presente, viu um portão se fechar na cara do cunhado e terminou a tarde no jardim que já conhecia de uma revista antiga, tudo isso para conseguir, de algum jeito, entrar naquela família. Contou também algo que pouca gente sabe: Bagagem, o livro que abre a nossa leitura no Clube, não foi o primeiro livro de Adélia. Antes dele, em 1969, ela publicou Lapinha de Jesus, em parceria com o fotógrafo Lázaro Barreto. Mas foi com Bagagem, e com a leitura entusiasmada de Carlos Drummond de Andrade, que Adélia se reconheceu, pela primeira vez, como poeta.
Falamos também sobre um conceito do escritor D.H. Lawrence: a ideia de que vamos construindo, ao longo da vida, um tecido entre nós e a realidade mais funda do mundo, e que o poeta é quem rasga esse tecido de vez em quando, para que a gente enxergue, ainda que por um instante, a luz que estava sempre ali. Gláucio defendeu que é exatamente isso que Adélia faz em seus poemas: ela rasga o nosso guarda-sol e nos devolve, com humor e ternura, à realidade de um mundo criado e sustentado por um Deus fiel.
Conversamos sobre como, na poesia de Adélia, fé e desejo caminham juntos. O corpo, para ela, é lugar de manifestação do sagrado, e por isso ela escreve sobre cozinha, sobre o marido, sobre a vizinhança e sobre Deus na mesma página, sem precisar separar o que é espiritual do que é cotidiano. Para ela, a experiência inteira de viver, com seus afetos, seus cheiros e seus desejos, também é matéria de poesia.
E tem mais: Gláucio contou que conheceu a esposa, Vanessa, em um grupo de estudos, e que foi justamente por causa de comentários sobre Adélia Prado, feitos com a câmera desligada durante a pandemia, que aquela amizade nasceu e mais tarde virou casamento. Adélia Prado, segundo ele, abriu várias portas na vida dele, inclusive essa.
Se você ainda não leu Adélia Prado, ou se já é leitor antigo, esse é o convite: junte-se a nós no Clube do Livro do Vitral para ler Bagagem, o livro que apresentou essa poeta extraordinária ao Brasil e ao mundo.
Como funciona o Clube do Livro
O Clube do Livro do Vitral é exclusivo para Vitralistas, os membros que sustentam o nosso projeto e têm acesso a conteúdos, encontros e materiais exclusivos. A cada ciclo, lemos uma obra junto, em um ritmo tranquilo, com bate-papos ao vivo para conversar sobre o que cada parte do livro provocou em cada um.
Neste ciclo, a leitura segue a própria divisão que Adélia Prado deu ao livro Bagagem, em quatro partes:
Cronograma de leitura de Bagagem
22/06 a 13/07: Parte 1, "O modo poético"
13/07: Bate-papo pelo Zoom sobre a primeira parte
14/07 a 21/07: Parte 2, "Um jeito de amor"
22/07 a 26/07: Parte 3, "A Sarça Ardente I"
27/07 a 03/08: Parte 4, "A Sarça Ardente II"
03/08: Bate-papo final pelo Zoom
Como participar
Para entrar no Clube do Livro, você precisa ser Vitralista.
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Assista ao episódio completo
E se você quer ouvir a conversa completa, com todas as histórias que não couberam aqui, o episódio está disponível na íntegra no nosso canal do YouTube. Vale muito assistir.
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