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Atualizado: 5 de mai.

Criação, arte e o reencantamento do imaginário cristão


  • Nota: Este texto reúne reflexões pessoais de Robert Lopes, músico, estudante de Teologia e integrante do clube do livro do Vitral.


Como nós, cristãos, obras do perfeito Deus criador, temos lidado com a Sua criação? Contemplando sua beleza ou apenas reduzindo tudo, unicamente, a causa e efeito?


Qual foi a última vez que olhamos para a criação como uma grande obra de arte, feita com maestria e perfeição por um Artista que é eterno?


Se não temos uma resposta para essas perguntas, certamente nosso imaginário se encontra em desencanto, em sequidão, em um grande vazio.


Rodolfo Amorim vai dizer:

"Podemos perder nosso senso de humanidade e dignidade ética ao cedermos nossa imagem de mundo ao estreitamento de um olhar materialista e cientificista para a realidade." (pág. 30)

A beleza deixa de ter propósito e sentido a partir do momento em que tudo se torna muito objetivo, material e cientificista. Diante disso, se não há beleza, e se tudo é apenas racional e lógico, não há espaço para a arte, uma vez que não há espaço para a contemplação. Temos, então, diante de nós, um niilismo estético, artístico e reflexivo.


Mas se de fato cremos em um perfeito Deus criador, se confessamos que tudo o que Ele criou é bom e perfeito, temos muito a contemplar, muito a refletir e, a partir disso, muito a criar! Aquele que foi tocado pela grandeza de quem Deus é certamente produzirá algo belo e sincero.


A respeito disso, Rodolfo vai dizer:

"A arte produzida por pessoas reconciliadas com a realidade, a partir de seu centro último de significados, apresenta possibilidades de reencantamento ausentes no imaginário secular predominante." (pág 30)

Existe uma grande beleza diante de todos nós, e dessa grande beleza deságua um convite constante — um convite à contemplação de uma obra tecida e criada na eternidade. Aqueles que aceitam esse convite carregarão consigo um imaginário fértil e um coração artístico.


O Clube do Livro do Vitral está lendo O Cristão e a Arte em Mundo em Desencanto. Este texto são algumas reflexões a partir da Parte 2 (cap. 4).

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