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Atualizado: 11 de mar.

Qual a saída para a guerra cultural?


A guerra cultural nos prometeu vitória, mas só entregou cansaço. De um lado, a mentalidade de que a cultura é um território a ser conquistado. Do outro, o impulso de criar uma bolha de isolamento para nos proteger. O resultado é um fracasso para todos: acabamos desumanizados, fragmentados e exilados de qualquer conversa genuína.


A primeira tentação é procurar por uma estratégia de guerra mais eficaz. Mas a verdadeira saída não está em lutar melhor, e sim em parar de lutar. A saída não é uma nova tática, mas uma nova imaginação. Não precisamos de um manual de guerra, mas de uma teologia da paz.


A alternativa que Makoto Fujimura propõe é uma troca de metáfora: sair do campo de batalha e entrar no jardim. Nessa visão, a cultura não é um território a ser dominado, mas um ecossistema vivo que precisa de cuidado. A vocação cristã não é a de um soldado, mas a de um jardineiro paciente, que entende que a transformação não acontece pela força, mas pelo cultivo.


O que um bom jardineiro faz? Ele não declara guerra ao solo. Ele o estuda, entende suas necessidades e trabalha com ele. A saída, portanto, começa com a escuta. É a disposição de ouvir com compaixão os "gritos" da cultura, seus anseios e dores, em vez de apenas gritar de volta as nossas respostas.


Enquanto a guerra valoriza o poder, o jardim floresce com a beleza. A beleza é vista como "inútil" em um mundo utilitarista, mas aí reside sua força. É o buquê de flores que um dia a esposa do Fujimura trouxe pra casa, quando eles mal podiam pagar as contas: um ato de fé de que a alma também precisa se alimentar para que a esperança continue viva.


Enquanto o soldado da guerra cultural cava trincheiras para se proteger, o jardineiro abre caminhos para se conectar. A saída é assumir uma nova identidade: a de agente de reconciliação. Nossa vocação não é mais defender um território, mas sim habitar os espaços entre as "bolhas", promovendo conversas honestas e construindo pontes de diálogo, mesmo aqueles de quem discordamos.


Esse trabalho de cultivo não acontece em eventos grandiosos, mas no ordinário. A prática está em convidar alguém a contemplar, a entrar pela primeira vez em um teatro que sempre esteve ali. Está em criar e compartilhar uma arte que, mesmo ao lamentar um mundo quebrado, o faz com uma beleza aponta para a redenção.


Portanto, a resposta à guerra cultural não é um lugar, mas uma postura. É a troca da armadura pelas ferramentas de jardinagem. É a decisão de parar de lutar por um pedaço de terra e começar a cultivar a beleza em todo o terreno, acreditando que o Criador do jardim é quem, no fim, traz o crescimento.


Quer ouvir mais sobre isso? Assista o bate-papo do Clube do Livro do Vitral sobre a obra Cuidado Cultural. [Conteúdo exclusivo para a Comunidade de Vitralistas.]



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