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O pão que é repartido por muitos


O homem caiu, o pecado entrou no mundo, a realidade se fragmentou, e todo o cosmos se corrompeu. Uma grande e profunda fome se instaurou no homem. Não só por alimento, mas por sentido, por razão, por esperança.


Por não saber como saciar essa fome de esperança e sentido, o homem começou a vagar. Agostinho, em sua obra Confissões, disse: “Eu ainda não amava, mas amava amar... Pois dentro de mim havia uma fome daquele alimento interior. Tu mesmo, meu Deus.”


A humanidade estava perdida e sem direção, uma vez que nada saciava aquela fome, e nada dava fim a tamanha miséria e caos.


Era necessário muito mais do que um alimento físico. Muito mais do que um ideal filosófico ou político para curar tamanha ferida que se encontrava aberta. A realidade estava morrendo. A realidade estava apodrecendo.

“Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos sarados.” (Isaías 53:5)

Foi somente através de Cristo, e deste crucificado, rasgado como um pão para saciar a fome de muitos, que enfim a humanidade pôde encontrar fim à sua grande fome por esperança, por sentido e por paz.

“Por meu sangue derramado, os pecados são perdoados. O meu corpo, sim, é dado por vocês, por vocês.” (Comunidade da Vila)

Que, nesta Sexta-feira da Paixão, possamos nos lembrar de que a morte de Cristo na cruz do Calvário não é somente um marco histórico ou temporal. Sua morte é um agente transformador, que traz paz, vida e esperança, e oferece à humanidade um recomeço.

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