- Jadson Dias

- 3 de mar.
- 3 min de leitura
Atualizado: há 5 dias
Bem-vindos ao Grande Banquete!
Em 2019 nasceu o Coletivo Candiero com a proposta de reunir cristãos nordestinos para cantar a partir do chão da própria terra — unindo responsabilidade teológica e ousadia estética, valorizando os sotaques, os sons, os instrumentos e uma poesia profunda.
Ao longo de sete anos, lançaram diversos álbuns e singles que ampliaram os limites do que se entende por “gospel”, “congregacional” e “brasileiro”.
Misturando estilos e artistas de forma criativa, afirmou com convicção: “O Nordeste Deus vê.”
E mostrou que é possível sustentar uma identidade artística sem abrir mão de viabilidade profissional. Mas ainda faltava a cereja do bolo. E próximo passo seria o mais desafiador.
Um Marco Coletivo
“O Grande Banquete Ao Vivo” tornou-se o que já era esperado: um marco recente na música cristã. Algo impensável nos últimos 20 anos, que se concretizou a partir do lançamento do sermão musical “O Grande Banquete” e da extensa série de apresentações criada em torno da obra.
A turnê percorreu o país com uma proposta ousada também na bilheteria:
Quem podia pagar mais, investia mais. Quem não tinha condições, ainda assim podia entrar. Um gesto concreto que dialoga com o próprio tema do espetáculo.
Ainda há lugar
Marco Telles foi coerente com a proposta: reuniu amigos do coletivo para formar o time de músicos da turnê. Ao lado de Ana Heloysa, Midian Nascimento, Daniel Alves e da banda Calmará, o projeto ganhou nova força. As canções, escolhidas a dedo, fortaleceram o eixo central da narrativa.
Com uma proposta ousada que ultrapassa a Paraíba, rompe as barreiras do país e alcança toda a América Latina, “O Grande Banquete” apresenta-se como uma celebração dos improváveis.
Brasil, mostra tua cara
No palco — físico e digital — Marco Telles e o coletivo erguem um espelho diante de um Brasil complexo, colorido e marcado por contradições.
Um país que, tantas vezes, tenta se moldar ao que não é e termina sem se reconhecer.
Diante do esquecimento de sua história, sua cultura, sua alegria simples, suas cirandas e pés descalços no barro, surge um chamado direto: Brasil, mostra tua cara!
“O Grande Banquete Ao Vivo” é um audiovisual que beira o impecável.
“Festa brasileira tem que ter samba”
O formato é extremamente chamativo: gente por todos os lados entoando as canções com intensidade, a banda transmitindo toda a energia necessária, com performances caprichadas e arranjos que se reinventam, trazendo toques de novidade importantes para um projeto como esse.
É o “Marat Sᔹ do coletivo que traz um tempero único para tudo e funciona como uma cola, dando uma identidade uniforme em meio a tanta pluralidade sonora.
Cuide do Outro
O espetáculo flui com ritmo preciso. O primeiro bloco de seis músicas, iniciando com a vibrante “Casa Cheia” e culminando no impactante dueto de Ana Heloysa e Midian Nascimento em “Ensimesmo”, é um dos pontos alto da apresentação.
De imediato, a temática pulsa nas letras e somos impactados com a mensagem: “Olhe para o próximo e o chame para a festa.”
Outro destaque importante é o bloco LUMC², com “Deixar” e “Ser Tão Teu” — composições marcadas por entrega e confiança no Deus que nos adota.
E não podemos deixar de citar as impactantes “O Convite” e “Auê”. É impossível ignorar o quão visceral é a entrega de Marco Telles em sua performance ao vivo, na tentativa de encarnar emocionalmente cada palavra que canta.
Bem-vindos ao Brasil!
A jornada de “O Grande Banquete” é o Auê do grupo C.
É o disparate sendo celebrado.
Como podemos ser chamados de filhos, tão distantes?
É graça. É para sorrir!
O chamado e o convite são diretos:
Brasil! Mostra tua cara!
Brasil! Pode entrar.
Brasil, deixa os teus entrarem também!
Nordeste também é Brasil.
E o Brasil é visto no Grande Banquete.




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