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Atualizado: há 5 dias

Bem-vindos ao Grande Banquete!


Em 2019 nasceu o Coletivo Candiero com a proposta de reunir cristãos nordestinos para cantar a partir do chão da própria terra — unindo responsabilidade teológica e ousadia estética, valorizando os sotaques, os sons, os instrumentos e uma poesia profunda.


Ao longo de sete anos, lançaram diversos álbuns e singles que ampliaram os limites do que se entende por “gospel”, “congregacional” e “brasileiro”.

Misturando estilos e artistas de forma criativa, afirmou com convicção: “O Nordeste Deus vê.”


E mostrou que é possível sustentar uma identidade artística sem abrir mão de viabilidade profissional. Mas ainda faltava a cereja do bolo. E próximo passo seria o mais desafiador.

Um Marco Coletivo

“O Grande Banquete Ao Vivo” tornou-se o que já era esperado: um marco recente na música cristã. Algo impensável nos últimos 20 anos, que se concretizou a partir do lançamento do sermão musical “O Grande Banquete” e da extensa série de apresentações criada em torno da obra.


A turnê percorreu o país com uma proposta ousada também na bilheteria:

Quem podia pagar mais, investia mais. Quem não tinha condições, ainda assim podia entrar. Um gesto concreto que dialoga com o próprio tema do espetáculo.

Ainda há lugar

Marco Telles foi coerente com a proposta: reuniu amigos do coletivo para formar o time de músicos da turnê. Ao lado de Ana Heloysa, Midian Nascimento, Daniel Alves e da banda Calmará, o projeto ganhou nova força. As canções, escolhidas a dedo, fortaleceram o eixo central da narrativa.


Com uma proposta ousada que ultrapassa a Paraíba, rompe as barreiras do país e alcança toda a América Latina, “O Grande Banquete” apresenta-se como uma celebração dos improváveis.

Brasil, mostra tua cara

No palco — físico e digital — Marco Telles e o coletivo erguem um espelho diante de um Brasil complexo, colorido e marcado por contradições.

Um país que, tantas vezes, tenta se moldar ao que não é e termina sem se reconhecer.


Diante do esquecimento de sua história, sua cultura, sua alegria simples, suas cirandas e pés descalços no barro, surge um chamado direto: Brasil, mostra tua cara!


“O Grande Banquete Ao Vivo” é um audiovisual que beira o impecável.

“Festa brasileira tem que ter samba”

O formato é extremamente chamativo: gente por todos os lados entoando as canções com intensidade, a banda transmitindo toda a energia necessária, com performances caprichadas e arranjos que se reinventam, trazendo toques de novidade importantes para um projeto como esse.


É o “Marat Sᔹ do coletivo que traz um tempero único para tudo e funciona como uma cola, dando uma identidade uniforme em meio a tanta pluralidade sonora.

Cuide do Outro

O espetáculo flui com ritmo preciso. O primeiro bloco de seis músicas, iniciando com a vibrante “Casa Cheia” e culminando no impactante dueto de Ana Heloysa e Midian Nascimento em “Ensimesmo”, é um dos pontos alto da apresentação.


De imediato, a temática pulsa nas letras e somos impactados com a mensagem: “Olhe para o próximo e o chame para a festa.”


Outro destaque importante é o bloco LUMC², com “Deixar” e “Ser Tão Teu” — composições marcadas por entrega e confiança no Deus que nos adota.


E não podemos deixar de citar as impactantes “O Convite” e “Auê”. É impossível ignorar o quão visceral é a entrega de Marco Telles em sua performance ao vivo, na tentativa de encarnar emocionalmente cada palavra que canta.

Bem-vindos ao Brasil!

A jornada de “O Grande Banquete” é o Auê do grupo C.

É o disparate sendo celebrado.

Como podemos ser chamados de filhos, tão distantes?

É graça. É para sorrir!


O chamado e o convite são diretos:

Brasil! Mostra tua cara!

Brasil! Pode entrar.

Brasil, deixa os teus entrarem também!

Nordeste também é Brasil.

E o Brasil é visto no Grande Banquete.


Notas:
1 Marat Sá é o termo criado dentro do próprio coletivo para definir sua identidade musical, —uma mistura de influências regionais brasileiras, referências da música popular nacional e elementos globais.

2 LUMC — Linguagem Universal da Música Cristã — é como o coletivo chama as músicas popularmente conhecidas como “worship”.

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